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Bem Vindos (as )











Sejam todos bem vindos !!!

Este blog destiná-se a todas as pessoas que amam poesias, ele fala do meu Eu poético, das minhas inspirações, utopias, sonhos e do meu estado de espírito !!!! Nele vejo-me como Sou : ser inacabado em processo de vim a ser ...

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha

é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a

outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa

sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de

si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela

responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

Charles Chaplin




Belém Pará

Belém Pará
Belém Pará

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Em busca de mim


Vivo nessa busca incessante de mim mesmo
Na tentativa de saber quem eu sou 
Eu procuro por mim
Procuro por tudo que me cerca
E por tudo que ainda está por vim
Procuro pelo desconhecido
Mas que de alguma maneira tem vertígios de mim
Meu saber é circunscrito 
Onde a minha essência é um processo de vim a ser
O que eu sou , ainda não sei
verbo conjugado no presente :Eu sou
Mistério volúpia do meu ser
Segredos que o tempo guarda 
E que se revela o que eu hei de ser
Movimento constante ,
invólucro fascinante de uma aúrea 
Que acredita que pode revelar muito de si
Gestos concretos. coração aberto
Eu sou assim :entrelinhas  em busca de mim


By Heloisa Melo


 



terça-feira, dezembro 13, 2011

despreendimentos

Há quem queira desisti do amor
Há quem queira acreditar 
Há quem queira esperá-lo
Há quem queira esquecê-lo
Há quem deseja sonhar
Há quem deseja morrer
Há quem deseja sofrer
Há quem  prefere sorri
Há quem prefere chorar
Há quem prefere arriscar
Esse é o natural da vida
idas e vindas
perdas e ganhos
subidas e descidas
risos e prantos
sonhos e ilusões
ódio e perdão
amor e desamor
liberdade e prisões
desejo e loucuras
Se o amor enfim nao chegou pra mim
Chegará no momento certo
Da forma como deve ser 
Naturalmente
Sem pressa , despreendido

By Heloisa Melo

 

domingo, dezembro 11, 2011

Quimeras


Me dê ás mãos
E me leve pra longe
Acaricie meus cabelos
E toque o meu rosto
Depois susurra em meus ouvidos 
Deixe o sentimento tomar conta do teu ser
Me  faça senti teu calor, teu cheiro , teu suor
Olhe nos meus olhos , e desnuda a minha intimidade 
Passeie em meu corpo suavemente e me diga te quero pra mim
Dedilha cada centímentro da minha pele
E deixe cair o véu que um dia escondia a pureza de menina
E me faça ser  tua mulher na mais terna doçura 
Beije-me  como fosse a última vez
Toque meus lábios entre teus dedos
Me faça perder a respiração me conduzindo numa atmosfera de quimeras
Eu desejo ser tua
Desejo que sejas meu


By Heloisa Melo








Espera

 
 
 
 Te dei o meu coração
Você descartou
Te dei a minha alma 
Você a fez chorar 
Te dei meu olhar 
Você escolheu a mentira
e agora você pede pra voltar
mas já decidi seguir outro caminho
que não me leve a ti
As vezes fico a imaginar
quão grande é a vontade de acertar
Eu continuo a tentar
A esperar um grande amor
Não sei de onde vem
E como é o seu rosto
Só sei que ele existe
e pode está bem perto de mim
quem sabe até já me olhou nos olhos
Já se inclinou quando eu passo
já sorriu
Pode ter a serenidade de um anjo
Pode ter um ar  maroto
Seja como for, ele existe
E está chegando
pra me fazer feliz
Só quero que ele me abrace forte
Que me tenha bem junto de si
Que me afague , e sinta minha respiração
Escute as batidas do meu coração
E escreva a nossa história de amor
Na estrela que tem maior brilho

By Heloisa Melo


terça-feira, dezembro 06, 2011

Silêncio oculto

Aquele olhar
aquele beijo
aquele gesto
era o desejo
silêncio oculto do teu coração
mesmo sabendo que  era tudo por nada
Que tudo era incerto
que eu sonhava sozinha
e tu estavas cada dia mais distante
então decidi te deixar parti
sem mim
e eu sem chão
sem voz
sozinha no silêncio oculto  do meu coração

By Heloisa Melo






terça-feira, novembro 22, 2011

sentimento


Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!




vossos olhos


"

Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder de vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso
Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.

 Camões 

quinta-feira, novembro 17, 2011

Texto de Eça de Queiroz






"... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela... Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranqüilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho"


Eça de Queiroz




quarta-feira, novembro 16, 2011

Sou Mulher







Sou mulher, sou sentimental eu sei
Sou quimeras, sou terra, sou ar,água e fogo
silêncio, louca . livre um pouco mais
perfume que exala , pegadas que marcam
Mãos que teçam, olhos que buscam , braços que afagam...
Sou vento, sou brisa, sou tempestade
Sou menina , sou moleca , sou loba que uiva em busca de ti
Sou filha, irmã e amiga 
contraditória, ausente, presente
Me escondo, indiferente, mas quero o teu colo
me calo, grito, sorrio , choro, mas me refaço 
te quero, te espero, te desejo, chamo o teu nome
Me afasto, penso, me refugio, quero ficar sozinha
Solto o verbo, me revolto, me questiono
mas te quero bem juntinho,dentro de mim
Sou inocência, candura , doçura 
Sou silêncio, sou deserto, sou riacho
vulcão, todas as estações
Sou sensitiva, sou emotiva, sou temperamental.
Criativa , livre, leve e solta
Sonhadora, aventureira, sedutora , misteriosa
assim sou eu, ser impar, inesgotável, ser de mulher.

By Heloisa Melo
 

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!


Charles Chaplin

quinta-feira, outubro 27, 2011

Se te amo , não sei


Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.

Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
Todo esquecido de mim!

Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;

Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, não sei.

Sei que se um gênio bom me aparecesse
E tronos, glórias, ilusões floridas,
E os tesouros da terra me oferecesse
E as riquezas que o mar tem escondidas;

E do outro lado a ti somente, e o gozo
Efêmero e precário e após a morte;
E me dissesse: "Escolhe" oh! jubiloso,
Exclamara, senhor da minha sorte!

"Que tesouro na terra há i que a iguale?
Quero-a mil vezes, de joelhos sim!
Bendita a vida que tal preço vale,
E que merece de acabar assim!"

Se te Amo, Não Sei!

Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.

Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n'alma presente
Todo esquecido de mim!

Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;

Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, não sei.

Sei que se um gênio bom me aparecesse
E tronos, glórias, ilusões floridas,
E os tesouros da terra me oferecesse
E as riquezas que o mar tem escondidas;

E do outro lado a ti somente, e o gozo
Efêmero e precário e após a morte;
E me dissesse: "Escolhe" oh! jubiloso,
Exclamara, senhor da minha sorte!

"Que tesouro na terra há i que a iguale?
Quero-a mil vezes, de joelhos sim!
Bendita a vida que tal preço vale,
E que merece de acabar assim!"


Gonçalves Dias

Ainda uma vez, adeus







                     
Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
                      
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
                     
Louco, aflito, a saciar-me
D'agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esperança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!
                      
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.
                      
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...
Olha-me bem, que sou eu!
                      
Nenhuma voz me diriges!...
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias - bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!
                      
Oh! se lutei!... mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?
                      
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!
                      
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!
                      
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
"Ela é feliz (me dizia)
"Seu descanso é obra minha."
Negou-me a sorte mesquinha...
Perdoa, que me enganei!
                      
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!
                     
Enganei-me!... - Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu'era...
E um louco fui, nada mais!
                      
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d'alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
C'o que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.
                      
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!
                      
És doutro agora, e pr'a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!
                      
Dói-te de mim, que t'imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!
                    
Adeus qu'eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida, 



Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!
                     
Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; - e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, - de compaixão.


Gonçalves Dias

quinta-feira, outubro 20, 2011

Se se morre de Amor


Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n'alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!


Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d'amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro


Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D'amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d'extremos,
D'altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr'ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D'aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!


Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d'ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr'ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!


Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d'ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr'ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!


Se tal paixão porém enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d'êxtases puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;


Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;
Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!


Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!


Gonçalves Dias

quarta-feira, outubro 12, 2011

Para o meu Coração



Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.


Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.

Pablo Neruda

terça-feira, outubro 11, 2011

Sentir primeiro







Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois

Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois

Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois

Viver primeiro, morrer depois

Mario Quintana

Sou



Sou aquela que nas manhãs te espera
E  que em cada primavera
Desabrocha a flor mais bela
Do jardim a mais singela
Sou o vento forte que  te envolve e te aquece
Ou a brisa mansa que vagarosamente te beija
Sou a lua e o luar
Vento e ventania
Chuva e tempestade
Dia e noite
 Tempo e estação
Água e fogo
Terra e ar
Sou metamorfose
Sou mulher
Sou menina
Sou fada
Sou felina
E quem sabe tua namorada
E nessa desventura, te tenho só pra mim
E quem sabe assim nessa ternura 
Eu serei tua eterna amada 

By Heloisa Melo


 

Lua e Flor


Eu amava
Como amava algum cantor
De qualquer clichê
De cabaré, de lua e flor...

E sonhava como a feia
Na vitrine
Como carta
Que se assina em vão...

Eu amava
Como amava um sonhador
Sem saber porquê
E amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia, amanhece não...

Eu amava
Como amava um pescador
Que se encanta mais
Com a rede que com o mar
Eu amava, como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar...

Eu amava
Como amava algum cantor
De qualquer clichê
De cabaré, de lua e flor...

Eu sonhava como a feia
Na vitrine
Como carta
Que se assina em vão...

Eu amava
Como amava um pescador
Que se encanta mais
Com a rede que com o mar
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar...


 Oswaldo Montenegro

Carinho Triste



A tua boca ingênua e triste
E voluptuosa, que eu saberia fazer
Sorrir em meio dos pesares e chorar em meio das alegrias,
A tua boca ingênua e triste
É dele quando ele bem quer.

Os teus seios miraculosos,
Que amamentaram sem perder
O precário frescor da pubescência,
Teus seios, que são como os seios intactos das virgens,
São dele quando ele bem quer.

O teu claro ventre,
Onde como no ventre da terra ouço bater
O mistério de novas vidas e de novos pensamentos,
Teu ventre, cujo contorno tem a pureza da linha de mar e
céu ao pôr do sol,
É dele quando ele bem quer.

Só não é dele a tua tristeza.
Tristeza dos que perderam o gosto de viver.
Dos que a vida traiu impiedosamente.
Tristeza de criança que se deve afagar e acalentar.
(A minha tristeza também!…)
Só não é dele a tua tristeza, ó minha triste amiga!
Porque ele não a quer.

 

Fernando Pessoa



Triste Fado



Enfeito-me de sonhos cristalinos
Com as cores de um cândido anseio
Afundo os meus olhos cerrados
Nas águas turvas, onde me deito.

É ao fugir de mim, que permaneço
Numa quietude de andorinha,
Que procura o seu ninho…
Como se andasse perdida.

Quem traçou o meu destino?

Desconheço porque me devoro
Com a sôfrega eloquência
De quem se auto mutila!!!
Que tristeza me apedreja?

Não quero que ninguém me veja
Nem que alguém me encontre
enquanto andar perdida...
É o que escuro que me ilumina!

Acaso pedi guarida?

Cansei de me procurar
assim… como quem tropeça
num lamaçal escorregadio
Nunca deixarei de sonhar...

É esse o meu triste fado!

Vóny Ferreira

A Graça

Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?
És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?
Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,.
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d'ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!...

Alexandre Herculano

segunda-feira, outubro 10, 2011

O sol nas noites e o Luar nos dias




De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


By Natália Correia

sábado, outubro 01, 2011

Busca





Ah essa busca incessante pela tal felicidade
Essa teimosia em acreditar que ela vai chegar
Que alguém vai ter olhar de um jeito diferente
Perceber o grande valor que tens
Que a vida oferece poucas oportunidades
Que isso é coisa rara 
Que coincidência existem
E que o universo conspira a favor
E que nada é por acaso
Tudo tem um porque
E que pessoas vem e voltam
E que o destino existe
Não depende só de nós
Que muitos esquecem o que dizes
Esquecem o que fazes
Mas a intensidade de como a fazemos sentir
Que o acaso  é inusitado
Tudo acontece derepente
Sem planejar 
Sem improvisar 
A vida sempre nos surpreende de uma maneira inesperada ...
Simplesmente acontece ...


By Heloisa Melo






 

Oração Celta

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalante ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e atua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

domingo, setembro 25, 2011

Barco a vela






Já faz tempo que te espero
Faz tempo que não o vejo
O tempo passa e não consigo te esquecer
Eu já tentei , mas quando te imagino voltando
Coração tripudia , mas não posso viver de memória
Se o amor terminou, também a dor vai passar
Nada é pra sempre, nem o meu sentimento
Me deixastes como o barco a deriva
Sem cais
Sem porto
Sem direção
Um barco a vela, no imenso oceano
Me fizestes chorar
Feristes meu coração
Mas te digo : foi em vão 
Nada perdi
Quem perdeu foi você 
Não reconheceu um verdadeiro amor
Não soube me cativar 
Agora a vida segue
E estou novamente a amar !!!!

By Heloisa Melo

Eu Acreditei






Enquanto as pessoas aqui denominam "virtual" qualquer sentimento, eu sempre acreditei que todos os sentimentos são reais.

Nunca consegui apenas sentir alguma coisa quando estando on line, e depois sair da relação como se sai em "Log Off".

Eu acreditei
em tudo que senti e ouvi.
Eu acreditei
em tudo que me foi prometido.
Eu acreditei
do mesmo jeito que as pessoas acreditam nas outras quando estão frente a frente.

Eu acreditei
que meus desejos comuns e naturais iam se realizar.
Eu acreditei
nas horas de carinho, dedicação e candura.
Eu acreditei
nas imagens que via, nos olhos que me olhavam através de uma câmera.

Eu acreditei
na boca que falava e nos dedos que digitavam.
Eu acreditei
em todos os momentos que havia uma sintonia especial.
Acreditei
e relutei até o momento em que percebi que somente EU havia feito como minha realidade a "virtualidade" que aqui impera.

Eu acreditei
até nas "mentiras sinceras", porque assim as coisas poderiam ficar mais humanizáveis, menos constrangedoras.
Eu acreditei
que pessoas mudam, que caráter se modifica, que não precisamos de muito para saber viver dentro da verdade e com honestidade. Basta falar com o coração e deixar os dedos digitarem sinceramente.
Eu acreditei.
Eu acreditei,
até me ver sem chão.

Eu acreditei
até que percebi que algumas pessoas desligam a máquina e se desligam com ela, mudam de programa assim como mudam o canal da televisão.
Tão simples como accionar o controle remoto... simples demais para quem não "saca" que atrás da máquina tem gente, sentimento, esperança, desejos, saudade.

Parece complicado para essas mesmas pessoas entenderem que quando se desliga o monitor, o som e todos os recursos existentes para se estar on line, não há como desligar a outra pessoa do outro lado.
Não se desligam sentimentos.
Não se colocam em " stand by " carinhos, afagos e sorrisos.
Não se eliminam prazeres, alegrias e trocas como se virus fossem.

Não se apagam da memória detalhes de um amor puro.
Memória não se formata.
Eu acreditei e hoje levo meus sentimentos na memória, na alma e dentro do meu coração, feito de músculos, veias e sangue que circula bombando vida e ainda uma pontinha de esperança que do outro lado exista alguém semelhante e não apenas fios ligados na voltagem 110/220 watts levando qualquer coisa para qualquer lugar.
Eu acreditei... sinceramente, eu acreditei.

Mirella Luchinytzs